terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nada

Outros chamam interesse
Outros egoísmo
Creio os dois
Dois não passam de um
O outro
Só para momentos de falta
Invenção moderna
Hiberna com tanta facilidade
Não importa a idade
Não se tem cuidado
Adeus, perdeu-se o tato
Odeio, isso é fato

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Semente do mal

A semente é plantada com ódio
O semeador se vai, mas a semente fica na terra
E terá que germinar
Essas sementes germinam tristeza
E geram fruto áspero e amargo

Quantas lágrimas caem até uma árvore crescer?



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Quereres

"Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim"

domingo, 14 de novembro de 2010

Até quando

Passo o tempo, o acalento cura
Numa noite vi o vulto andar
Nada agora que aparece dura
É tão raro quanto o verbo amar

Me parece um sinal do tempo
Um tanto quanto lento
Vindo me deixar

Uma marca feito tatuagem
Cuja cor parece o tom do azul luar

Aparece logo a essa altura
Deixa rastros que pra sempre ficará
E o que resta é o vago tempo
e como um soldado lento
Se põe a andar


Vou andar pra sempre, hoje, logo e sempre
Disso nunca vou deixar
Vou andar, vou andar...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Insanidade

Fico besta pois é inevitável numa hora dessas
Caramba, posso dizer tudo de forma racional e madura?
Nããão, definitivamente não posso!
Gosto! E gosto tanto! De um gostar que me deixa com um nó
Não controlo, não enrolo e não desolo, não desfaço esse nó
Que insiste em querer se transformar em laço
Por ser tão importante
Tão presente em mim
Tão bem amarrado
Siiim! Isso é um desabafo calado
E sim, é insano também
Ah! Como te quero tanto
E tão bem

sábado, 6 de novembro de 2010

Quer ver?

Diga menina, o que você quer?
Quero um dia ser grande, mamãe.
Quer ser grande? Então comece a olhar em volta.
Mas eu não consigo tirar os olhos do espelho!

Consegue fechar os olhos?
Sim
Que bom, já é um começo.
Agora é só viver.