terça-feira, 31 de março de 2009

O verbo no infinito

"Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir pra poder chorar

Para poder nutrir-se, e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito."

(Vinícius de Moraes)

terça-feira, 24 de março de 2009

Sem palavras

Dizendo começo por dizer nada
Por não bastar uma palavra pra dizer
O que não tem nexo pra quem a vê


Como dizer o que assim bastava
Sem ter dito absolutamente nada



Dizer o que, se não existe uma palavra
Cabível para quem fala



E continuo assim sem falar uma palavra
Que não existe por não caber
Sem sentido para quem não ouve

Mas vital pra quem a lê

E ler o que?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Voz

Querer é poder, e não é balela
Nem clichê, pois diz exatamente o que não se diz
O tanto não depende do quando ou do porquê
Sai da boca pra fora de quem pede bis

Vai, pois quem um dia ganhou também foi sonhador
Insistir é apenas o começo, o passo seguinte é o que conta
Desistir parece mais apropriado pra curar a dor
Mas torna tudo um grande jogo de faz-de-conta

Ao chegar não diga nada, agora sim espere
E veja com seus próprios olhos o alcance de uma voz
Que parecia tão calada, e invencível findou uma jornada

E mais uma coisa eu te digo, meu irmão
Recupere o fôlego, recomponha seu pulmão
E se prepare pra cantar outra vez mais uma canção

quarta-feira, 11 de março de 2009

Rua

No começo não dizia mais que meia dúzia de palavras.
Apenas observava, mas isso não bastava.
Queria mais. Queria sentir alegria de viver. Encontrar, gargalhar, sem medo.
Um dia acordou, deu de cara com a rua e decidiu encarar.
Percebeu que o problema, se é que se pode chamar assim, não era com a rua.
E que a tal alegria de viver era algo que vinha de dentro, de seu próprio ser e resplandeceria à sua volta, contagiando quem por perto estivesse.
Então se deu conta que o importante não era como a rua o via, era um mero detalhe, mas sim como via a si mesmo. Tarefa difícil...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Amor

Hoje posso dizer que não há nada mais infinito e puro do que a amizade.
Ter o amor de quem se ama no ir, ficar, voltar e encontrar de forma intacta o que começou.
E não importa para onde se vá e o que se encontre, lá sempre estará o amigo.
Ouve, perdoa. Sem condições, sem questões.
Diz, sinceramente. Tudo, ou quase tudo.
Olha, sem dizer nada. E diz tudo.
Ri, da mais pequena graça. Mesmo sem ter a menor graça.
Chora. Sem querer lenço, apenas um colo.
E ama. O mais profundo amor. Que não há tempo, apenas existe.

A todos os amigos.